domingo, 3 de maio de 2009

Morena da Janela




Depois da noite o espaço entre entre os dias que se passam, na mente a esperança de um dia reencontra-la, mas eis que me pergunto e se eu a reencontrar o que eu direi, o que eu farei, será que a beijarei ?

Eis que o cenário da última noite se repete, mas dessa vez o luar não ilumina mais como outrora e as ruas não demonstram o mesmo mistério que intimidava e encantava, por fim mais uma noite comum se aproxima e a certeza de que os tempos trazem a paz da sua ausência e me mostram que tudo não passou de uma simples noite, uma singela bela noite.

Ah se aqueles arcos um dia deixassem de me pregar um peça, ah se eu fosse menos ingênuo e percebesse que neste lugar não existem noites iguais, não existem noites simples, e para confirmar a minha nova mais velha descoberta, quem eu acabo de avistar no meio de pessoas estranhas que se aglomeravam ao redor de um balcão, sim ela, a moça da noite bonita, com uma bela camisa amarela e uma garrafa verde na mão, por sinal a mesma garrafa que eu iria adquirir tempos depois .

Pois então o destino resolve trabalhar e me escolhe como alvo, colocando a mesma senhora da noite passada no meu caminho, e sutilmente me deixa com uma dúvida de sambista ao indagar se seria ela a morena dos meus versos, a mesma que me deixa noites acordado a sonhar,a que me deixa faltar ar só de lembrar. E nesses vagos pensamentos eu fiquei imóvel, estagnado no mesmo lugar e perdi a morena de vista para quem sabe nunca mais avistar.

E mais uma vez o espaço entre o tempo se fez, e as coisas mais uma vez voltam ao normal, o samba retomou da cadência afinal tudo sempre acaba quarta-feira e talvez eu nem me lembrava mas dela , porém nas minhas rimas relatadas em parágrafos anteriores eu me esqueci de um detalhe o qual talvez pudesse mudar o meu destino, o mesmo que há tempos atrás resolvestes brincar comigo, sim o detalhe crucial, a morena tinha um nome, preferia para sempre me referir a ela como morena, mas no papel a morena era Soraya.



“ ...Arrasa e arruína depois passa por cima a dor em busca de outro amor ...”


Por fim o malandro sempre volta pra casa, e debaixo dos arcos ele se sente protegido, lá não existe saudade, nem destino, nem muito menos morena, e assim ele segue valente em busca do novo e volta a se aventurar pelas ruelas da paixão, pede uma garrafa verde, se delicia do liquido da coragem e vai sambar na ladeira, ah mas se por um momento passa um anjo, ou seria uma santo?, eis que o malandro para de sambar e como se sentisse enfim livre da cicatriz do destino, resolve olhar pro céu e debochar do luar. Malandro, garoto, menino que em um desviar de olhar o perde naquela exata janela, justamente naquela janela, que o mundo acabasse naquele instante, que ele tomasse uma rasteira para cair e não mais levantar, mas que não pudesse novamente enxergar aqueles cabelos cacheados e que mais ainda não pudesse jamais enxergar aquele sorriso no alto, bem no alto daquela janela.

De tudo o que não quis, passei a querer, era a vitoria do destino e a derrota do malandro, agora não tinha mais jeito, teria que conhecer a morena arisca que na mesma velocidade que aparecia, desaparecia. Será que realmente Soraya existia ou será que não passava de uma ilusão desse pobre coração que se cansou de procurar encontrar o amor e resolveu criar um pro seu bel prazer.

Mas todo homem tem nos ombros do seu amigo, a ajuda pra acreditar no amor, e no meu caso a certeza que a morena da janela não era ilusão dos meus olhos, ah se agora enfim seria um eterno apaixonado pelos arcos e viveria a rodar as ruas a te procurar e se te achasse, não diria nada, chegaria devagar e lhe entregaria essas palavras , deixaria que o destino o senhor vencedor, fizesse a sua vontade.


No peito para sempre há de ficar um sorriso e a lembrança da imagem daquela moça na janela. Ah alegria de perder nesta profundidade de incerteza, a sua incrível beleza ...


“... Uma qualquer uma, que pelos dure enquanto é carnaval ...” (Roberta Sá)